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- Professor Ricardo Tadeu da Silva Onety
- Olá leitores!
- A sociedade contemporânea com suas transformações nas atividades políticas, econômicas e sociais, cada vez mais dinâmica, tende a exigir do homem que seja mais competitivo e produtivo.
- Isto faz com que as algumas famílias iniciem, obsessivamente e precocemente, a busca de resultados elevados de seus filhos.
- Como Professor de Educação Física, tenho percebido a ansiedade de muitos pais a introduzirem seus filhos nas mais variadas “atividades ou reforço”: é aula de tudo e para tudo: Dança para bebês ou dança materna; ginástica rítmica; inglês para bebês; kumon para criança; judô kids; natação para bebês; futsal; futebol, além das atividades escolares diária e visita ao psicólogo.
- Parece treinamento de Atletas Olímpicos!
- Vocês conhecem alguma criança assim?
- É Claro que sabemos que o desenvolvimento da criança depende de múltiplos fatores, que a plasticidade da criança é incrível, são como “esponjas de alto teor de absorção”. Devem ser estimuladas e instigadas a desafios constantes. Vocês se surpreenderão com tanta capacidade de aprendizagem e desenvolvimento.
- Elas são incríveis!
- Mas calma! Muita calma nesta hora!
- Vamos conversar sobre este tema relevante: “A iniciação esportiva precoce de crianças no esporte”.
- É muito comum pais chegarem para os Professores de Educação Física em busca de respostas a perguntas como: -Meu filho luta desde os três anos e não quer mais saber das aulas; meu filho nada, faz aulas de xadrez, futsal e etc., desde pequeno e agora aos 12 detesta! O que eu faço? O que fiz de errado?
- É claro que os pais não erraram ao introduzir seus filhos nas “aulas de reforço ou nos esportes” muito cedo. Eles não são Profissionais da Educação, da Educação Física e muito menos especialistas em treinamento esportivo.
- Somos nós Professores de Educação Física os “responsáveis em alertá-los e propor a eles”, qual momento apropriado para iniciar a formação esportiva de seus filhos.
- A família é responsável pela tomada de decisão final!
- Uma coisa é unanimidade – “A introdução da criança na modalidade esportiva, na maioria das vezes é escolha dos pais e não da criança.
- Ou o pai foi um ex-praticante ou queria ter experimentado esse ou aquele esporte”.
- Não parece que há uma certa expectativa dos pais projetado nas crianças?
- Por isso, muitas são submetidas cedo demais em esportes que talvez não gostem ou não tem aptidão. São induzidas precocemente a uma preparação especializada, a um gesto motor unilateral, repetitivo e às vezes chato.
- Antes mesmo de elas manifestarem suas eventuais aptidões e escolhas.
- Um aluno meu disse baixinho em meus ouvidos – Eu odeio futsal! (o pai o matriculou na escolinha).
- Recorrendo a ciência: Jean Piaget diz: A inteligência humana se desenvolve por estágios e a fase chamada de operações formais inicia-se por “volta dos12 anos de idade”, onde a criança tem total capacidade para raciocinar e construir hipóteses.
- David Gallahue, teórico do desenvolvimento motor contribui: “A idade cronológica não é determinante, mas, a partir dos 12 anos há uma melhoria significativa na execução de habilidades especificas e o esquema corporal da criança ou pré-adolescente está basicamente formado”. Enquanto esta fase não chega, deixem as crianças experimentarem os mais diversificados gestos motores de diferentes esportes, deixe-os saboreá-los.
- Acredito que devemos ter mais cuidado e faço apelo para sermos mais “sensíveis à importância do movimento educativo na formação esportiva na infância”. Antes de querer transformar filhos em atletas, devemos antes desenvolver as capacidades básicas humanas: consciência social, inteligência emocional, aprender a descobrir e criar, a fazer e agir, a viver em grupo, a ser solidário, ser empático e a respeitar regras dentre outros.
- Sugerimos pequenas mudanças: os pais e familiares devem claramente mostrar que o valor da criança não está relacionado com o resultado do jogo ou da competição. Assim o prazer pela prática de esportes se tornará leve.
- Alivie a pressão sobre as crianças e limite as atividades fora da escola, para sobrar tempo para que elas possam “viver” como crianças.
- Por fim, se as aprendizagens significativas forem assimiladas, as crianças as levarão consigo por toda a vida. Tornando-as mais ajustadas e felizes.
- Não esqueça de brincar com seus filhos, antes que eles cresçam!
- Foto: Internet