HISTÓRIAS E LENDAS AMAZÔNICAS: CASTANHA DA AMAZÔNIA

Paulo Almeida Filho – Servidor Público Federal Aposentado.

A Bertholletia excelsa, popularmente conhecida como ‘’castanha-do-brasil, castanha-da-amazônia, castanha-do-acre, castanha-do-pará, noz amazônica, noz boliviana, tocari ou tururi’’ é uma árvore de grande porte, muito abundante no norte do Brasil e na Bolívia, cujo fruto contém a castanha, que é sua semente.

Parece pouca castanha? Ora, uma unidade dessa oleaginosa concentra nada menos do que 200 a 400 microgramas de selênio.

Entenda: a presença de selênio é essencial para a formação de uma enzima batizada de glutationa peroxidase.  Não precisa se arrepiar com o palavrão.

Já se observou, em um estudo brasileiro, que pessoas com comprometimento cognitivo tinham uma deficiência muito maior de selênio. Mais uma castanha por dia se mostrou suficiente.

Existe a orientação de comê-la antes das principais refeições. Isso porque esse nutriente costuma demorar mais tempo para ser digerido pelo corpo.

São muitos os nomes da árvore e semente que conhecemos, em geral como “castanha-do-pará”.

P A R Á

Desde a chegada dos europeus à América do Sul, a árvore nativa da floresta amazônica é mencionada e descrita em relatos de viajantes, religiosos e naturalistas.

Apreciadas pelo seu sabor, as amêndoas são utilizadas tanto na culinária em geral, em especial no acompanhamento de doces, como pelo setor de cosméticos, que utiliza o óleo obtido da castanha para a fabricação de xampus, condicionadores e sabonetes.

Além dos usos comerciais, pesquisas na área da saúde apontam que substâncias presentes na castanha-do-pará podem retardar o envelhecimento e até ajudar a prevenir alguns tipos de câncer.

Com base na tese de doutorado “Do extrativismo à domesticação: as possibilidades da castanha-do-pará”, defendida no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, surgiu o livro A Castanha do Pará na Amazônia, publicado pelo Paco Editorial.

O trabalho, que tem como foco a história econômica da árvore e sua semente famosa é inédito em sua abordagem. Na obra, o historiador José Jonas Almeida revela em etapas como a produção de castanha-do-pará representou uma das mais importantes atividades da Amazônia e um recurso natural fundamental para a sobrevivência das populações tradicionais daquela região.

Já durante sua pesquisa de mestrado, Almeida se aproximou do tema, tendo como objeto de estudo Marabá, localizada no sul do Pará. No passado, a cidade foi a maior produtora de castanhas do mundo.

O interesse específico pela semente surgiu quando o pesquisador investigou a economia da cidade durante o período da ditadura militar brasileira. Partindo de viagens feitas pela região, o historiador reuniu um conjunto de documentos de fontes oficiais, matérias de jornais, livros de viajantes, estudos botânicos e informações obtidas tanto da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) quanto de bibliotecas internacionais, como a Biblioteca do Congresso, localizada em Washington, nos EUA.

De acordo com sua análise, a atividade ao redor da castanha-do-pará “garantiu a manutenção da economia de alguns municípios na primeira metade do século 20, entre eles Marabá, tendo movimentado um comércio ativo”, afirma.

A C R E

O sistema de produção da castanha-do-brasil (Bertholletia excelsa), apresenta importante valor para a manutenção dos meios de vida de produtores e comunidades extrativistas da Amazônia.

Está associado à conservação da floresta uma vez que quase toda a castanha comercializada no mundo é coletada de florestas naturais.

Este trabalho tem como objetivo demonstrar a importância do manejo de castanhais nativos realizado por extrativistas no Estado do Acre. Tendo como eixo central a afirmação de que a castanha-do-brasil desempenha um papel chave na região a partir da inclusão sócio produtiva de comunidades extrativistas, são abordados elementos de reflexão sobre o paradigma do uso e conservação da sociobiodiversidade.

O trabalho fornece informações sobre aspectos da atividade de manejo de castanhais nativos do Acre, a partir da abordagem de três dimensões: ecológica, econômica e social. A produção de castanha-do-brasil no estado do Acre é uma atividade tradicional que representa uma das principais fontes de renda para muitas famílias extrativistas.

O Estado liderou a produção nacional de castanha-do-brasil em seis dos dez anos estudados. Nesse período, o extrativismo da castanha no Acre gerou, em média, recursos da ordem de R$ 13,3 milhões ao ano.

A organização social da base produtiva é fator determinante para o desenvolvimento da cadeia no estado. Nesse sentido, destaca-se a atuação articulada entre comunidades, cooperativas e órgãos governamentais de pesquisa e fomento para a definição e divulgação de boas práticas de produção e formas de agregação de valor ao produto, promovendo melhorias na qualidade e consequentemente no mercado.

A M A Z O N A S

A atividade extrativista no estado do Amazonas compõe uma estratégia de produção sustentável que integra sistemas agroextrativista no Estado.

Para que a atividade se torne mais sustentável no Amazonas, é necessário incentivar o uso racional de tecnologias que possam agregar valor ao sistema adotado, visando o equilíbrio ambiental, econômico e social, ou seja, contribuir na qualidade de vida do produtor, principalmente, com geração de renda e preservação dos recursos naturais.

Uma alternativa para melhoria do cenário atual seria a disponibilidade de crédito rural para fomentar praticamente todos os elos da cadeia produtiva, ou seja, da extração a comercialização.

Visando a melhoria contínua na avaliação dos projetos agropecuários, buscando constantemente a eficácia dos resultados, principalmente, em virtude do aumento da demanda por produtos originados do extrativismo no estado do Amazonas, a Embrapa Amazônia Ocidental e a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (AFEAM), realizam no âmbito da parceria de cooperação técnica, o curso Extrativismo da castanha-do-brasil no Amazonas: da coleta à comercialização.

O extrativismo da castanha-do-Brasil, também conhecida como castanha-do-Pará, vem crescendo no Brasil. Desde a década de 90, indústrias se instalam por toda a Amazônia e a castanha passou a ser um dos principais produtos florestais não-madeireiros.

R O N D O N I A

Rondônia é o quarto maior produtor de castanha-do-Brasil no País, a produção se concentra em terras indígenas, sobretudo em Ji-Paraná. Somente em 2011, a produção no Estado chegou a 3,5 mil toneladas.

O estudo dessa cadeia sob a ótica das redes sociais foi o tema da dissertação de mestrado em administração do professor Eslei dos Reis, pela Universidade Federal de Rondônia.

No trabalho ‘‘Cadeia extrativa da castanha-da-Amazônia: análise sob a perspectiva de redes sociais’’, o pesquisador buscou compreender as conexões que envolvem desde os coletores indígenas até as indústrias de beneficiamento. “É um tema bastante interessante em função da procura que a amêndoa tem apresentado nos últimos anos, tanto na área alimentícia quanto na de cosméticos, inclusive pelo mercado internacional”, explica.

Durante a pesquisa de campo em Ji-Paraná, Reis pode conhecer três etnias indígenas predominantes: Arara, Gavião e Zoró, que somam aproximadamente três mil pessoas, ¼ da população indígena do Estado.

Além dessas populações, o pesquisador investigou entidades que se relacionam com esses povos na atividade econômica, como órgãos governamentais, como a Funai e a Conab, cooperativas, empresas ou projetos como o Pacto das Águas, que com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, estimula e consolida estratégias de desenvolvimento econômico pautadas na sustentabilidade.

Em relação a atuação do projeto Pacto das Águas, Reis acredita ser uma referência para a cadeia da castanha.  “O Pacto das Águas pode ser considerado um ponto de interconexão entre atores e mostra também o poder de influência e prestígio na rede”, analisa.

O projeto tem atuação com os povos indígenas Gavião e Arara, além de outros povos no Leste de Rondônia e Noroeste de Mato Grosso. “Para nós, é importante termos análises e avaliações externas sobre os avanços obtidos, pois isso demonstra que estamos no caminho certo e que temos muito trabalho pela frente”, avalia Plácido Costa, coordenador do projeto que há mais de dez anos investe no empoderamento dos povos indígenas e tradicionais.

Além de ser considerada como uma das mais bem-sucedidas experiências em alternativas de geração de renda pautadas na conservação das florestas na Amazônia junto a povos indígenas e tradicionais, o Pacto das Águas ajuda a garantir a conservação de 1,8 milhão de hectares de floresta amazônica, considerando a área ocupada pelos povos participantes do projeto.

A Petrobras acreditou na força dessas ideias, e por meio de seus programas de responsabilidade social, vem apoiando mais de 500 projetos em várias regiões do país, que tem contribuído para agricultores familiares, povos indígenas e tradicionais e grupos de jovens e mulheres construir novas realidades que tragam mais dignidade e qualidade de vida à essas populações.

A M A P Á

O escoamento de produtos extraídos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Iratapuru, no município de Laranjal do Jari, teve um grande avanço com a chegada do primeiro quadriciclo na região. O veículo foi entregue pela Agência de Fomento do Amapá (AFAP).

Financiado pelo Fundo de Desenvolvimento Rural do Estado (FRAP), o quadriciclo custou R$ 29 mil e aluda na colheita da castanha, principal atividade extrativista na região sul do Amapá. O veículo facilitará o acesso aos ramais diminuindo o tempo e o esforço dos produtores.

“Hoje carregamos sacas de até 70 quilos nas costas porque não podemos utilizar trator no meio da mata porque causaria danos à natureza. Por isso, esse equipamento é o mais adequado por caber em qualquer trilha, sem contar que é motor 4×4 com tração. Ou seja, ele tem bastante força”, explicou Aldemir Pereira, extrativista financiado.

De acordo com Hélio Dantas, secretário de Desenvolvimento Rural do Estado, o objetivo é expandir essa ferramenta para outras regiões do Estado, principalmente em locais onde os caminhões não conseguem entrar. “Vimos que esse investimento é muito viável e ajuda bastante na retirada de qualquer produto em áreas de difícil acesso”, avaliou o gestor.

Na produção da Castanha, de acordo com a Cooperativa Mista de Produtores e Extrativistas do Rio Iratapuru (Comapu), 56 famílias vivem da extração de castanha extraída nesta área. O produto coletado atinge em média 700 hectolitros durante a safra e é processado para uso cosmético.

Transformada em óleo é comercializada por grandes empresas multinacionais.

R O R A I M A

A expectativa de gerar renda, valorizar o produto nativo e melhorar a qualidade de vida nas comunidades das terras indígenas Wai-wai e Trombetas-Mapuera tem sido alcançada com o resultado positivo do trabalho de extrativismo da Castanha do Brasil, produzida de forma sustentável pelo povo indígena Wai-Wai, localizado na região sul do Estado de Roraima.               

Por meio de um contrato firmado em 2011 entre a empresa de beneficiamento de óleos vegetais, Palmaplan, a Associação do Povo Indígena Wai-Wai (APIW) e a Associação do Povo Indígena Wai-Wai Xaary (APIWX) foi possível comercializar duas mil sacas de castanhas, das quais 700 já foram entregues.

A iniciativa conta com parceira da Fundação Nacional do Índio (Coordenação Regional de Boa Vista/RR), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab/RR) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE/RR).

Mesmo com dificuldades de acesso, tanto terrestre, quanto fluvial, os indígenas da região de Jatapuzinho realizaram a entrega de 700 sacas de castanha em tempo hábil. As outras 1.300 sacas, que finalizam o acordo de duas mil, deverão ser entregues pelas comunidades da região Anauá e Xaary.

Além da produção incluída no contrato, a Palmaplan comprou da região de Jatapú outras 1.050 sacas.

A entrega da produção restante está prevista para o final do semestre deste ano.

Fonte: GOOGLE,  WIKIPÉDIA, Portal Amazônia.

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