HISTÓRIAS E LENDAS AMAZÔNICAS: PICO DA NEBLINA

Paulo Almeida Filho – Servidor Público Federal Aposentado.

O Pico da Neblina, localizado no norte do Estado do Amazonas, na serra do Imeri, é o ponto mais alto do Brasil com 2.995,30 metros de altitude, segundo dados do IBGE de 2015.

O nome do Pico origina-se do fato de que o topo da montanha fica encoberto pela neblina a maior parte do tempo. Por sua vez, o Pico dá nome ao Parque Nacional do Pico da Neblina, onde está situado.

Localiza-se no Município de Santa Isabel do Rio Negro, mas a zona urbana mais próxima é a de São Gabriel da Cachoeira.

Embora o maciço do Pico da Neblina esteja situado na fronteira com a Venezuela e a maior parte da área do maciço esteja nesse país, o cume principal está inteiramente dentro do território brasileiro, a 687 metros da fronteira venezuelana no Pico 31 de Março, conforme determinado por uma comissão demarcadora de fronteiras em 1962.

Além de ser o ponto mais alto do Brasil, o Pico da Neblina é o ponto mais alto do Escudo das Guianas e também o ponto mais alto da América do Sul a leste dos Andes (embora a Sierra Nevada de Santa Marta, na Colômbia, a noroeste da cordilheira e totalmente separada desta, tenha o ponto mais alto do continente fora dos Andes).

Portanto, o Pico da Neblina é o ponto mais alto de grande parte do continente e tem uma grande proeminência topográfica.

O vizinho Pico 31 de março, por onde passa a fronteira com a Venezuela e que é dividido com esta, é ainda o ponto mais alto daquele país fora dos Andes, a 2.974,18 metros.

O Pico da Neblina teria sido descoberto na década de 1950, pelo então comandante Mário Jucá, da Panair do Brasil, ao sobrevoar o Pico num raro momento em que ele não estava encoberto pela neblina. Na época não existiam instrumentos de precisão como o GPS, porém o comandante teria chegado a essa conclusão baseado apenas no altímetro de sua aeronave.

Como não se conhecia ainda sua altitude exata, nem se tinha certeza se o Pico se encontrava em território brasileiro ou venezuelano, continuou-se acreditando ainda por alguns anos, que o ponto mais alto do Brasil era o Pico da Bandeira (2.891 metros), na divisa dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais.

Só em 1962 a fronteira foi demarcada e se confirmou que o Pico da Neblina estava no Brasil. E, só em 1965, sua altitude foi medida e se descobriu então que era o ponto mais alto do país.

Porém, se para os brasileiros o Pico era desconhecido, os venezuelanos já conheciam aquele maciço como Cerro Jimé. Sendo que, o mesmo em 1954, foi visitado por uma expedição liderada pelo curador do Jardim Botânico de Nova Iorque, o Dr. Basset Maguire, que  mais tarde se juntou ao eminente ornitologista venezuelano (filho de americanos) William H. Phelps Jr.

Apesar de não terem chegado ao Pico da Neblina, a Venezuela homenageou o sr. Phelps, batizando um Pico da montanha de Cerro Phelps, aparecendo nos mapas, como sendo o Pico 31 de março ou o Pico da Neblina.

Porém, de acordo com o mapa do próprio Dr. Basset Maguire, o cerro Phelps consta como sendo o Pico da Neblina.

Em 30 de março de 1965, a primeira ascensão e aferição oficial da altitude do Pico da Neblina foram realizadas pela expedição da PCDL (Primeira Comissão Demarcadora de Limites/ Comissão Mista Brasileiro/ Venezuelana Demarcadora de Limites), comandada pelo General Ernesto Bandeira Coelho, da qual participou o topógrafo Ambrósio Miranda que, através de um teodolito + barômetro, chegou à marca de 3.014 m de altitude. Estava presente também na expedição o pesquisador Roldão Pires Brandão e o Pico da Neblina, passou então a ser o ponto culminante do país.

Em 2004, o cartógrafo Marco Aurélio de Almeida Lima, membro da expedição do Projeto Pontos Culminantes do IBGE e do Instituto Militar de Engenharia (IME), tirou as novas medidas após 36 horas de medição usando um aparelho de GPS profissional de altíssima precisão. A nova medição determinou que o Pico era aproximadamente 20 metros mais baixo, tornando o Brasil um país sem nenhum ponto em seu território acima de 3000 metros de altitude.

No final de 2015, com base em mapeamento mais preciso do território brasileiro quanto ao geoide (superfície imaginária de referência para altitudes, com base no campo gravitacional da Terra), os dados obtidos anteriormente por GPS foram recalculados (não houve nova expedição ao Pico na ocasião) e o IBGE alterou novamente a altitude oficial do Pico da Neblina para 2.995,30 metros, uma diferença de 1,52 metro.

Plantas de grande porte e vegetação mais fechada (floresta equatorial), só são comuns até os 1000 m de altitude; dos 1000 m aos 1700 m, há árvores de médio e pequeno porte e a vegetação é mais aberta e; a partir dos 1800 m, só há vegetação rasteira (vegetação de altitude).

Sua localização próxima à Floresta Amazônica faz com que até os 1000m chova muito, o que favorece o crescimento da vegetação de maior porte. A partir dos 1000 m as nuvens de chuva não conseguem atingir a altitude, então chove menos que nas áreas mais baixas e o clima fica muito úmido.

A uma altitude de aproximadamente 1700 m, as nuvens predominam e deixam o dia quase sempre com neblina e o clima da montanha tem maior umidade. Nas áreas superiores a 1750 m, o clima é úmido, mas sem muita intensidade e a partir dos 2500 m, o clima é mais seco.

No topo da montanha, a temperatura chega a 20°C durante o dia e cai para 6°C à noite.

Por localizar-se num Parque nacional, em região de fronteira e em terras da reserva Ianomâmi, o acesso ao Pico da Neblina é restrito e depende de autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). É obrigatório contratar um guia credenciado.

As expedições começam na cidade de São Gabriel da Cachoeira. A partir da cidade, é necessário subir o rio Cauaburi em voadeiras (velozes canoas de alumínio com motor de popa), até a boca do Igarapé Tucano, onde inicia a caminhada, próximo à aldeia ianomâmi e missão católica de Maturacá.

Depois de quatro dias de caminhada, andando uma média de 4 a 5 horas por dia, chega-se ao ponto mais alto do relevo brasileiro.

Em virtude da elevada biodiversidade e riqueza do ecossistema da região onde o Pico se encontra, houve uma proposta para que a área se transformasse em reserva natural, destinada a estudos científicos e à manutenção de sua paisagem original. Por esse motivo, em 5 de junho 1979 – dia mundial do Meio Ambiente, foi assinado o decreto de criação do Parque Nacional do Pico da Neblina.

Com uma área de mais de 2 milhões e 200 mil hectares (2.200.000 ha), o Parque tornou-se uma das maiores áreas de proteção natural da América do Sul. Quando somado com o Parque Nacional Cerro de la Neblina, posicionado no lado venezuelano da fronteira, o local passa a ser considerado como uma das zonas de maior riqueza natural da América Latina em estado de preservação legal.  

Na fronteira exata com a Venezuela encontra-se o Pico 31 de março, 21 m mais baixo que o Pico da Neblina.

O clima do Pico da Neblina é bastante influenciado pela latitude (proximidade com a Linha do Equador) e pelas variações de altitude. Por esse motivo, há dois tipos climáticos: o tropical úmido e o tropical de altitude.

Existem três unidades de relevo na região do Pico da Neblina: o Planalto Sedimentar Roraima, o Planalto Amazonas-Orenoco e o Pediplano Rio Branco-Rio Negro. É na primeira que se encontra o Pico da Neblina e o Pico 31 de março, sendo uma formação geológica altamente montanhosa, com relevo tabular e com rochas esculpidas pelos ventos e pela água.

No Planato Amazonas-Orenoco, observa-se um terreno acidentado com muitas serras, das quais se destacam a Serra do Padre e a de Imeri. Já no pediplano, há um maior aplanamento da superfície, com menores altitudes, com médias de 150 m.

Existem várias espécies animais em vias de extinção nesse Parque Nacional, o que revela a acentuada biodiversidade local, com espécies como o Galo-da-Campina, a onça-pintada, o tucano-açu, o gavião-pega-macaco e muitos outros animais.

O turismo local, apesar dos incentivos, não é elevado, havendo poucas visitas registradas no Parque. O principal problema é a infraestrutura precária, que dificulta as vias de acesso.

No entanto, essa parece ser uma boa opção para os “aventureiros” de plantão, uma vez que as trilhas e o transporte por pequenas embarcações oferecem a visão de belos cenários naturais e garantem o ritmo de caminhos com bastante emoção e aventura.

O local também costuma ser procurado por alpinistas, que buscam chegar ao cume da montanha mais alta das Américas fora da Cordilheira dos Andes.

Fonte: Google, Wikipédia.

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